SUPERPERFORMANCE2 

21

Abril

EVENTO DE ABERTURA

Sábado, das 14h às 18h, Abril, 2018

 ContemporãoSP, Rua João Moura 1009, Pinheiros 

Maira Vaz Valente

Suelen Calonga
Renata Felinto
Maurício Ianês
Marco Paulo Rolla 
Carla Borba

Teresa Siewerdt

Este é um projeto que consiste em uma distribuição gratuita de múltiplos para performance dxs artistas: Carla Borba, Maira Vaz Valente, Marco Paulo Rolla, Maurício Ianês, Renata Felinto, Suelen Calonga e Teresa Seiwerdt

 

O projeto tem um foco colaborativo e explora a mudança na relação com o público de arte em dois níveis: primeiro, através das  “receitas” de performance propostas pelxs artistas que ativam o papel dxs visitantes/performers. Segundo, pela utilização de um display que permite a distribuição dos múltiplos de maneira que xs visitantes possam oferecer esses múltiplos e interagir entre si.

 

O projeto propõe também uma colaboração entre a curadoria e xs artistas através de um dispositivo/display que abriga os múltiplos.

 

O dispositivo consiste em uma prateleira criada para cada artista, projetado para alterar a forma de acesso às obras. Tal acesso só é possível quando x visitante aciona o dispositivo e oferece o múltiplo a outrx visitante, proporcionado, dessa forma,  um processo solidário.

 

O nome Super Performance 2 sugere uma dualidade e remete ao espaço/ sistema do consumo. Implica também a super/ação do ato do consumo em massa ou um tipo de sistema de consumo diferenciado.

 

Mais Informações

 

Como referência central, a Super Peformance 2 dialoga com a "Exposição não Exposição", do artista Nelson Leirner, realizada na Galeria Rex, em São Paulo, em 1967.

 

A exposição ofereceu ao público a oportunidade de levar gratuitamente obras de Leirner para casa. Através de um convite para a exposição publicado em um jornal local, o artista lançou uma proposição onde se podia ler: “Pare...Olhe...Entre...Pegue...". 

 

Entretanto, na abertura da mostra o acesso às obras de arte não foi simplificado pelo artista porque a fronteira que separava o público dos objetos foi intencionalmente dificultada através de uma série de obstáculos. Tais obstáculos foram montados com o intuito de destacar a dificuldade de receber os presentes do artista. Na noite do evento, uma multidão estava à espera na porta da galeria. Quando as portas se abriram, o espaço foi invadido por pessoas agitadas e ansiosas pela posse das obras, atendendo ao desejo de Leirner que queria mobilizar um grande público para causar confusão. Ao tentar retirar uma obra presa à parede, um dos visitantes munido de um grande alicate, causou acidentalmente um apagão no espaço, fato que acirrou a disputa pelo garimpo das obras.

 

No contexto da "Exposição não Exposição" a célebre frase: “Art is anything you can get away with” do crítico canadense Marshall McLuhan torna-se pertinente. Originalmente relacionada à capacidade de persuasão do artista frente ao sistema de arte, a frase, sob uma tradução literal no contexto da performance do público pode ser traduzida como: arte é qualquer coisa que você consegue levar ou “escapar com”.

 

Leirner provocou comportamentos performáticos da multidão e incentivou um espetáculo com elementos de tumulto e agressividade, exacerbando o elemento do consumo dentro do espaço da arte parecido com as liquidação promovidas por grandes lojas de departamentos. Os obstáculos para apanhar as obras funcionaram como armadilhas, captando o público em pleno ato de violência incitado pelo artista, além de dar  visibilidade performática a tal presença.

 

Tal forma tensionada de distribuição contrasta com uma maneira mais comumente realizada de distribuição de múltiplos, disponibilizados em pilha, bem conhecida na obra do artista Felix Gonzáles Torres.

 

A distribuição de múltiplos em pilhas montadas no chão ou sobre bases para consumo dos visitantes revela certa simplicidade. Ao mesmo tempo, tal forma torna-se um corpo que se desmaterializa na medida em que é consumido, provocando um sumiço criativo.

 

Torres, na obra “Sem-título” (da série Placebo), de 1991, utilizou essa disposição de maneira poeticamente potente quando disponibilizou no chão do espaço expositivo uma quantidade de balas/doces com o mesmo peso do corpo do seu falecido namorado.

 

Em outra obra do artista, “Passport #II”, de 1993, os visitantes podiam pegar de uma pilha cadernos do tamanho de um passaporte com imagens de gaivotas voando impressas em preto e branco. Na medida em que tais múltiplos foram distribuídos, provocou-se um cruzamento de fronteiras entre o espaço expositivo e o cotidiano, sendo a obra levada para territórios desconhecidos através da ação dos agentes performáticos (visitantes).

 

Em Leirner e Torres, encontram-se duas estratégias de oferecimento que foram consideradas no display expositivo da Super Performance 2.

 

Na entrada da exposição aparece a seguinte proposição:

“Super Performance. Por favor, ofereça”.

ENG

This is a project that consists of a free distribution of multiples of performance artists: Carla Borba, Maira Vaz Valente, Marco Paulo Rolla, Mauricio Ianês, Renata Felinto, Suelen Calonga and Teresa Seiwerdt

 

 

The project has a collaborative focus and explores the change in the relationship with the art public on two levels: first, through the performance "recipes" proposed by artists who activate the role of visitors /performers. Second, through the use of a display that allows the distribution of the multiples so that visitors can offer these multiples and interact with each other.

 

 

The project also proposes a collaboration between the curators and the artists through a device / display that houses the multiples.

 

 

The device consists of a shelf created for each artist, designed to change the way of accessing the works. Such access is only possible when a visitor activates the device and offers the multiple to the other visitor, thus providing a solidarity process.

 

 

The name Super Performance 2 suggests a duality and refers to the art system of consumption. It also implies overcoming the act of mass consumption or a type of differentiated consumption system.

 

At the entrance of the exhibition the following proposition appears:

 

"Super Performance. Please offer ".--

 

 More information

As a central reference, Super Peformance 2 dialogues with Nelson Leirner's "Exposição não Exposição", held at the Rex Gallery in São Paulo in 1967.

 

The exhibition offered the public the opportunity to take Leirner's works free of charge. Through an invitation to the exhibition published in a local newspaper, the artist launched a proposition where one could read: "Stop ... Look ... Come ... Get ...".

 

 However, at the opening of the show, the access to works of art was not simplified by the artist because the border between the public and objects was intentionally hampered by a series of obstacles. These obstacles were set up in order to highlight the difficulty of receiving the artist's gifts. On the night of the opening, a crowd was waiting at the gallery door. When the doors opened, the space was invaded by agitated people, anxious for the ownership of the works - meeting the desire of Leirner who wanted to mobilize a large audience to cause confusion. When trying to remove a work stuck to the wall with a pliers, one of the visitors accidentally caused a blackout in space, a fact that aggravated the dispute. 

 

In the context of the "Non-Exposure Exhibition" the famous phrase from the Canadian critic Marshall McLuhan "Art is anything you can get away with" becomes pertinent. Originally related to the artist's ability to persuade the art system, the phrase, under a literal translation can be translated as: art is anything you can take or "escape with."

 

 

Leirner provoked performative behavior from the crowd and encouraged a spectacle with elements of turmoil and aggressiveness, exacerbating the element of consumption within the art space, resembling Black Friday sales promoted by large department stores. The obstacles to pick up the works worked as traps, capturing the public in the act of violence incited by the artist, in addition to giving performative visibility to such a presence.

 

 

Such a tensioned form of distribution contrasts with a more commonly performed manifold distribution, made available in stack, well known in the work of artist Felix Gonzales Torres.

 

 

The distribution of multiples in piles mounted on the floor or on bases for the consumption of the visitors shows certain simplicity. At the same time, such a form becomes a body that dematerializes itself in the measure that it is consumed, causing a creative disappearance.

 

Torres' project of 1991 used this arrangement poetically when he made available on the floor of the exhibition space a quantity of candy with the same weight as the body of his deceased boyfriend.

 

In another work by the artist, Passport # II, in 1993, visitors could pick up passport-sized notebooks with pictures of flying seagulls printed in black and white from a pile. To the extent that such multiples were distributed, a border crossing between the exhibition space and the daily life was caused, and the work was taken to unknown territories through the action of the performance agents (visitors).

 

In Leirner and Torres, there are two offer strategies that were considered in the exhibition display of Super Performance 2.

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